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A polêmica entre Kim do Catedral e integrantes do Legião Urbana ocorrida em 2002

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A polêmica entre Kim do Catedral e integrantes do Legião Urbana ocorrida em 2002

Tudo começou quando Carlos Trilha, o quarto Legião Urbana, que trabalhou com a banda de 92 até a morte de Russo, em 96, foi indicado pela Warner para produzir o novo álbum do Catedral.

O problema ocorreu justamente porque nessa mesma época, Trilha produzia o novo álbum de Marcelo Bonfá, ex-baterista da Legião. Quando ficou sabendo, Bonfá logo rompeu com Trilha.

"Não queria trabalhar com ele de manhã sabendo que, de tarde, ele estaria produzindo o Catedral", diz Bonfá, que encostou o disco depois de ter produzidas seis faixas por Trilha. "Não conheço muitas músicas desta banda mas o que ouvi achei pobre, cópia paraguaia mal feita. Não conheço os caras, não posso falar nada da pessoa deles. Mas, como música, só sei que o que fazem é uma porcaria."

Já Dado Villa-Lobos não se pronunciou sobre o assunto. Em entrevista ao JT concedida em setembro de 2001, deu sua opinião: "Catedral é uma banda Denorex: parece mas não é." Carlos Trilha faz a defesa. "A galera do Legião não gostou nada quando ficou sabendo que eu iria produzir o Catedral. Achei um absurdo, parecia que queriam proteger não sei o quê, que o Catedral iria roubar alguma coisa deles. Esta postura é uma bobagem, uma grande besteira. Mas foi tudo isso que me deu vontade mesmo de fazer uma grande trabalho com os rapazes.

"O contra-ataque de Kim é mais violento. "Quem é Marcelo Bonfá? Para mim não é nada. Eu respeitava o Renato Russo, mas para o Bonfá não dou a mínima. Só faço uma pergunta: se eles falam tanto de Legião Urbana, por que não continuaram com o grupo depois da morte de Renato Russo? O Catedral está vivo, o Legião acabou." As semelhanças que todo mundo vê não são tão comprometedoras assim para o cantor do Catedral. O tom de sua voz, segundo o próprio, está um tom acima ao de Russo, ou seja, sua voz é mais aguda.

"Nunca fui fã de Legião e nunca cantei em um grupo de Legião cover", reforça. Em seu grande mestre, Elvis Presley, um ídolo também para Russo, estaria a explicação das coincidências vocais entre os roqueiros.

As desavenças ficam longe dos fãs que fizeram uma espécie de transferência de idolatria do Legião para o Catedral. Em Braz de Pina, bairro da zona norte do Rio onde se concentra não se sabe exatamente o porque dezenas de fãs do Catedral, Renato Russo e Kim dividem o pódio de ídolos maiores no rock nacional.

Kim para eles, seria uma espécie de sucessor de Russo. A jovem Fabiane Carvalho ficou mais de um ano pensando que a fita do Catedral que havia ganhado da tia era uma raridade do Legião Urbana que só ela possuía. Aos amigos fãs de Russo, contava vantagem. Um primo fez seu mundo cair. "Ele sorriu e disse que era uma banda gospel." Fabiane adotou o grupo com tamanho fervor que passou a fazer por ele as loucuras que não podia fazer mais pelo Legião.

"Cheguei a acordar às 6h da manhã para esperar o disco novo chegar a uma loja". Em uma camiseta, quer escrever, na maior das boas intenções, ´Catedral Urbana´ - uma tragédia para ambos os grupos. Seguidores exagerados criam cenas constrangedoras. Cézar, o guitarrista, conta que não são poucos os que vão a shows do Catedral com faixas da Legião e os que levam CDs da banda de Brasília para serem autografados por eles. "Digo que o disco não é nosso, que não foi gravado por nós".

O fã Alexsander Soares tem os 15 discos do grupo e 25 camisetas, incluindo as que estão estampadas fotos de ingressos de shows. Depois de ouvir a voz de Kim e achá-la parecida com a do ídolo Russo, começou a separar as coisas. "Vejo muita diferença entre as bandas. Os timbres de voz são parecidos, mas não idênticos."

A vida era mais simples para o Catedral nos tempos de louvação. Entre 1991 e 1998, o grupo lançou 12 álbuns por uma gravadora religiosa e vendeu 1,5 milhão de discos. Fazia pelo menos 15 shows por mês. "Nunca fomos uma banda gospel como as outras. Éramos a vanguarda do movimento", fala Kim.

"Éramos considerados até um pouco perigosos." Kim e os integrantes Cezar e Júlio Motta são irmãos. O quarto, Guilherme Morgado, é primo. Embora tenham deixado de compor para o meio gospel, continuam cristãos, fiéis à Igreja Presbiteriana que não fechou as portas a eles depois da troca de público. Mas a banda reconhece que perdeu 50% do eleitorado evangélico. Um deles foi o mineiro Fábio de Souza, da Igreja Metodista. "Fui totalmente contra o que eles fizeram. Vendi todos os discos que tinha para não ouvir nunca mais."

Fonte: Estadão

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